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NÁJERA - Panteón dos Reis de Nájera/Pamplona no MOSTEIRO de SANTA MARIA LA REAL

  • May 9
  • 10 min read

Updated: 5 days ago

Continuo a minha viagem pelo Caminho das Estrelas, lembrando aos leitores que os artigos desse blog foram escritos para serem lidos na ordem em que foram publicados. Quando descrevi a primeira parada do meu roteiro, falei sobre a emoção da inesperada descoberta de túmulos de reis e rainhas que foram meus ancestrais. Foi essa emoção que me revelou o sentido da minha peregrinação pelo Caminho das Estrelas. Naquele instante vislumbrei um objetivo que deu o devido valor aos muitos anos de vida que dediquei ao estudo da história e da genealogia da minha família. Ancestrais longínquios, que eu só conhecia de nome, transformaram-se em pessoas de carne e osso, que nasceram, viveram e morreram, como todos nós. E o mundo não os esqueceu, porque houve monges que se tornaram guardiães dos restos desses nobres medievais e artistas que criaram túmulos de incomparável beleza para honrar os heróis que escreveram a história de uma época extraordinária!


Continuei a minha viagem, com o coração a buscar mais vestígios de partículas ínfimas do meu DNA, mas com os cinco sentidos ligados à bela paisagem do norte da Espanha, às maravilhas da sua gastronomia e aos vinhos de La Rioja. Essa província é famosa pelos seus vinhos e pela cidade de Nájera, onde se encontra o Mosteiro de Santa Maria La Real, uma das joias arquitetônicas e históricas do Caminho de Santiago.


Cada novo artigo do Caminho das Estrelas tem um gancho em algum detalhe do artigo anterior, então vou relembrar o conde RAMÓN BERENGUER I "el Vell" de BARCELONA (1024-1076) e sua mulher ALMODIS de LA MARCHE (1020-1071), personagens do artigo anterior, que leva seus nomes. O nome do Conde de Barcelona aparece junto aos reis FERNANDO I de LEÓN (1017-1065) e RAMIRO I de ARAGÓN (1007-1063), todos presentes em Nájera  em 1052, para assistir à cerimônia de fundação do Mosteiro de Santa Maria la Real pelo rei GARCÍA SÁNCHEZ III "el de Nájera" (1016-1054) e sua mulher, Doña ESTEFANIA de FOIX (1023-1066).


O Mosteiro de Santa María la Real foi inaugurado no século XI e tornou-se Monumento Nacional em 1889, por possuir inegável valor artístico e por refletir a importância histórica de Nájera na Idade Média. Esse mosteiro abriga dezenas de túmulos de monarcas e nobres navarros e pamploneses, num Panteón Real situado no subsolo, junto à entrada da gruta onde tudo começou.


Existe uma lenda sobre a origem do Mosteiro de Santa María la Real: no início do século XI, o rei GARCÍA SÁNCHEZ III "el de Nájera" saiu para caçar nas imediações de seu castelo. Ao soltar o seu falcão para perseguir uma perdiz, ele perdeu de vista os pássaros. Para tentar achá-los, embrenhou-se num bosque, onde encontrou uma gruta e nela um altar iluminado por uma lamparina, com uma imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus, um sino e um jarro de lírios. Seu falcão e a perdiz estavam pousados pacificamente ao lado da santa. Por ordem do rei, o Mosteiro de Santa Maria La Real começou a ser edificado nesse local e hoje é considerado um dos lugares mais emblemáticos do Caminho de Santiago. Quem se dispuser a visitar a cripta da igreja poderá ver a entrada da caverna onde a Virgem teria aparecido ao rei Don García. Venera-se ali a imagem de La Virgen de la Rosa, uma escultura gótica do século XIII, trazida do Real Alcázar de Nájera.


Mosteiro de Santa Maria la Real, em Nájera
Mosteiro de Santa Maria la Real, em Nájera

A aparência externa do Mosteiro de Santa María la Real lembra uma fortaleza, mas o seu interior abriga arcas funerárias de surpreendente qualidade artística que contêm restos mortais de nobres navarros e pamploneses, em três alas distintas: o PANTEÓN REAL, o PANTEÓN dos INFANTES e o CLAUSTRO dos CAVALEIROS.


PANTEÓN REAL


O Panteón Real do Mosteiro de Santa María la Real supera as expectativas de qualquer visitante, seja peregrino, turista ou estudioso de História e Genealogia. Os sepulcros que abrigam os restos mortais de reis, rainhas e infantes do antigo Reino de Nájera-Pamplona são do estilo renascentista do século XVI, embora esses nobres tenham vivido em épocas anteriores. Pertencem à Dinastia Jimena, que reinou entre 918 e 1076 (mencionada no artigo sobre a Arca Real do Mosteiro de Leyre) e à Dinastia de García Ramírez, que reinou entre 1135 e 1234.


Entrada do Panteón Real do Mosteiro de Santa María la Real de Nájera
Entrada do Panteón Real do Mosteiro de Santa María la Real de Nájera

O Panteón Real de Nájera abrigou os restos mortais da monarquia navarra desde a fundação do mosteiro, em 1052, até a anexação do Reino de Navarra à Coroa de Castela no século XVI. Ali estão sepultados mais de trinta reis de Nájera-Pamplona. Vou citar apenas os mais importantes:

  • Don GARCÍA SÁNCHEZ III "el de Nájera" (reinou entre 1035 e 1054) e sua mulher Doña ESTEFANIA de FOIX, fundadores do Mosteiro, estão sepultados em lugar de destaque, logo à entrada do Panteón Real. Os túmulos de seus filhos Sancho Garcés IV, Ramiro e Ramón também se encontram no Panteón Real.


Túmulo do rei Don GARCÍA SÁNCHEZ III "el de Nájera" - fundador do Mosteiro de Santa María la Real
Túmulo do rei Don GARCÍA SÁNCHEZ III "el de Nájera" - fundador do Mosteiro de Santa María la Real

Brasão de Armas do rei Dom GARCÍA SÁNCHEZ III no seu túmulo no Panteón Real de Nájera
Brasão de Armas do rei Dom GARCÍA SÁNCHEZ III no seu túmulo no Panteón Real de Nájera

Túmulo de Doña ESTEFANIA de FOIX, rainha de Nájera/Pamplona e fundadora do Mosteiro de Santa Maria la Real
Túmulo de Doña ESTEFANIA de FOIX, rainha de Nájera/Pamplona e fundadora do Mosteiro de Santa Maria la Real

Brasão de armas de Dona ESTEFANIA de FOIX, mulher do Rei Dom Garcia, no seu túmulo no Panteón Real
Brasão de armas de Dona ESTEFANIA de FOIX, mulher do Rei Dom Garcia, no seu túmulo no Panteón Real

  • Don Sancho Garcés IV "el Noble", também conhecido como Don Sancho "el de Peñalén", era filho de Don GARCÍA SÁNCHEZ III e de Doña ESTEFANIA de FOIX e foi rei de Navarra entre 1054 e 1076.

Sepulcro do rei Don Sancho IV Garcés "el de Peñalén" no Panteón Real de Nájera
Sepulcro do rei Don Sancho IV Garcés "el de Peñalén" no Panteón Real de Nájera

Estátua jacente no sepulcro do rei Don Sancho IV Garcés "el Noble" ou “el de Peñalén”
Estátua jacente no sepulcro do rei Don Sancho IV Garcés "el Noble" ou “el de Peñalén”

  • Don Ramiro Garcés (1043-1083), Senhor de Calahorra, Torrecilla e Ribafrecha. Não consegui identificar o seu túmulo, mas é certo que ele está sepultado em Nájera. Ele foi o quarto filho dos fundadores do Mosteiro, Don GARCÍA SÁNCHEZ III "el de Nájera" e de Doña ESTEFANIA de FOIX. Morreu em 1083 em Rueda de Jalón, tentando conseguir a rendição do castelo de Rueda de Jalón para o rei Don ALFONSO VI "el Bravo" de CASTELA e LEÓN.


  • Don Ramón de Navarra "el Fratricida" (1051-1076). Não consegui identificar o seu túmulo, que pode estar no Panteón Real ou no Panteón dos Infantes. Ele também era filho dos fundadores do Mosteiro, Don GARCÍA SÁNCHEZ III "el de Nájera" e de Doña ESTEFANIA de FOIX. Foi apelidado de "el Fratricida" porque foi implicado na morte de seu irmão, o rei Sancho Garcés IV "el de Peñalén", em 1076. Esse fato desencadeou a invasão de Nájera pelo rei Don ALFONSO VI "el Bravo" de CASTELA e LEÓN.


  • Don Bermudo III de León (1010-1037) reinou desde 1028 até sua morte, na batalha de Tamarón, em 4 de setembro de 1037. Seu sepulcro é de estilo renascentista em pedra branca, com estátua jacente e leva uma inscrição que o identifica: "El Rey Vermudo de León". Existe uma controvérsia histórica entre os mosteiros de Nájera e de San Isidoro de León, onde também se acredita que Don Bermudo esteja sepultado, tendo sido levado por sua irmã Sancha. Alguns historiadores sugerem que o sepulcro de Nájera poderia ser um cenotáfio (uma tumba honorífica sem restos humanos). Em Nájera, defendem a versão do traslado dos seus restos, logo após o desaparecimento do antigo convento românico local onde ele teria sido sepultado. Em León, citam a tradição do seu enterro junto aos restos do seu pai, o rei Don ALFONSO V de LEÓN. Portanto, a localização dos restos desse rei permanece um enigma histórico. O que é certo é que Bermudo III foi morto em 1037 pela lança de seu cunhado, o conde castelhano Fernando I, que tomou seu trono e iniciou a Dinastia Jiménez, que uniu brevemente as coroas de León e Castela.


Túmulo de "El Rey Vermudo de León" no Panteón Real de Nájera (tumba honorífica?)
Túmulo de "El Rey Vermudo de León" no Panteón Real de Nájera (tumba honorífica?)

  • Outros reis de Nájera-Pamplona, das dinastias Jimena e Abarca, também estão sepultados no Panteón Real, mas fugiria ao escopo desse blog citar todos os nomes e exibir as imagens de todos os túmulos.



PANTÉON dos INFANTES


O PANTÉON dos INFANTES é a ala fúnebre do Mosteiro de Santa Maria la Real de Nájera que abriga os restos mortais de membros da família real que não chegaram a reinar. O conjunto é famoso pela combinação de túmulos renascentistas em pedra branca, que contrasta com o revestimento da caverna original e cria um ambiente místico e quase etéreo. É um dos lugares mais bonitos do Mosteiro de Nájera!


Panteón dos Infantes e o sepulcro da rainha Doña BLANCA de NAVARRA à direita
Panteón dos Infantes e o sepulcro da rainha Doña BLANCA de NAVARRA à direita

  • Doña BLANCA de NAVARRA (1133-1156), Infanta de Navarra, filha do rei Don GARCÍA IV RAMÍREZ "el Restaurador", tornou-se rainha consorte de Castela pelo seu casamento com o rei Don SANCHO III de CASTELA (1134-1158), que está sepultado em Toledo. Ela foi mãe do rei ALFONSO VIII de CASTELA (1155-1214). Faleceu muito cedo, deixando o filho com poucos meses de idade. Seu marido encomendou um sepulcro digno de sua rainha, que é considerado uma joia românica do século XII. Talvez tenha sido colocado no Panteón dos Infantes porque é diferente dos outros túmulos do Panteón Real, que foram todos renovados, seguindo o mesmo estilo. O sarcófago de Doña BLANCA de NAVARRA é um dos mais famosos do Mosteiro de Nájera. Destaca-se pela beleza da arte românica. A tampa retrata a rainha no seu leito de morte, com pleurants à sua volta.


Sepulcro da rainha Doña BLANCA de NAVARRA, no Panteón dos Infantes
Sepulcro da rainha Doña BLANCA de NAVARRA, no Panteón dos Infantes

CLAUSTRO dos CAVALEIROS


O Claustro dos Cavaleiros é um claustro gótico do final do século XV que abriga os túmulos de muitos nobres de La Rioja e de membros da nobreza espanhola, inclusive os condes da Casa de Haro, que detinham o senhorio de Vizcaya, um território de grande importância estratégica na Idade Média.


  • Dom Diego López II de Haro (1150-1214) foi um destacado membro da nobreza do seu tempo e jaz num belo túmulo com estátua jacente. Era filho de Dom Lope Díaz I de Haro, conde de Nájera e senhor de Vizcaya, que também está sepultado no Claustro dos Cavaleiros. Dom Diego recebeu o cognome "el Bueno" pela sua relevância histórica e pelo importante papel que desempenhou na consolidação do poder da sua linhagem em La Rioja e Vizcaya. Ele teve participação decisiva na Batalha de Las Navas de Tolosa, em que os cristãos venceram os mouros em 1212, e foi um marco importante na Reconquista da Hispania. Dom Diego serviu como Alferes-Maior do rei Don ALFONSO VIII de CASTELA, o mesmo rei que fundou o Monastério de Las Huelgas em Burgos, e lá está sepultado ao lado de sua mulher, a rainha Dona ELEANOR PLANTAGENET - releiam aquele artigo para rever os belíssimos sarcófagos desses reis de Castela!


Sepulcros de Don Diego López II de Haro e de sua segunda mulher, Doña Toda Pérez de Azagra, no Claustro dos Cavaleiros
Sepulcros de Don Diego López II de Haro e de sua segunda mulher, Doña Toda Pérez de Azagra, no Claustro dos Cavaleiros
  • Doña Toda Pérez de Azagra (f. 1216) foi a segunda esposa de Don Diego López II de Haro. Como condessa de Nájera, outorgou ao Mosteiro de Santa Maria la Real a vila de Torrecilla. Em sua tumba, destacam-se figuras de pleurants.


  • Doña Mencía López de Haro (1215-1270) foi uma nobre castelhana do século XIII. Era neta de Don Diego II López de Haro, o personagem mencionado acima. Era filha de Don Lope Díaz II de Haro, senhor de Vizcaya, e de Doña Urraca Alfonso de León, irmã do rei Don FERNANDO III "el Santo" de CASTELA e LEÓN, ambos filhos do rei ALFONSO IX de LEÓN. Em 1234 Doña Mencía casou-se com Don Álvaro Pérez de Castro "el Castillano" para resolver uma disputa entre seu pai, Don Lope Díaz II de Haro, e seu tio materno, o rei Don FERNANDO III "el Santo". Tal disputa foi resolvida pela intervenção das rainhas Doña BERENGUELA de CASTELA e Doña BEATRIZ da SUÁBIA, mãe e esposa do Rey Santo. Seu primeiro marido, Don Álvaro Pérez de Castro, era Adelantado Mayor em Sevilha (título outorgado pela Coroa espanhola a um oficial com amplos poderes civis e militares sobre determinada região, muitas vezes em territórios recém-conquistados ou de fronteira). Conta-se que Doña Mencía participou com muita coragem da defesa do castelo de Jaén contra os mouros. Falecido Don Álvaro, ela casou-se com o rei Sancho II de Portugal. Enfrentou imensas dificuldades na corte portuguesa, pois o rei tinha muitos inimigos e sua consorte castelhana não era vista com bons olhos. O casal resistiu a muitos embates, até à bula papal de anulação do seu casamento, mas a história acaba com o rei deposto e a rainha raptada! A vida de Doña Mencía despertou a atenção de vários historiadores do século XIX, entre os quais Alexandre Herculano.


Capilla de la Veracruz (ou Capilla de Doña Mencía), que abriga os sepulcros da família de Doña Mencia López de Haro
Capilla de la Veracruz (ou Capilla de Doña Mencía), que abriga os sepulcros da família de Doña Mencia López de Haro

Sepulcro de Doña Mencía López de Haro, rainha consorte de Portugal
Sepulcro de Doña Mencía López de Haro, rainha consorte de Portugal

Quando Doña Mencía voltou à sua terra natal, estabeleceu-se em Nájera, onde viveu muitos anos. Encomendou a construção de uma capela no Mosteiro de Santa María la Real de Nájera, para abrigar os túmulos de seus familiares. Ela faleceu em 1270 em Palencia, mas seu corpo foi trazido para ser sepultado nessa capela, conhecida como Capilla de Doña Mencía ou Capilla de la Veracruz, num túmulo gótico do século XIII, com os escudos heráldicos dos López de Haro e do reino de Portugal. Essa senhora admirável teve grande relevância política: enfrentou guerras, defendeu cidades e ajudou a governar um reino. Soube honrar a sua Casa e construiu uma capela funerária, onde agora repousa, enfim, em paz!



MAUSOLÉU dos DUQUES de NÁJERA


O Mausoléu dos Duques de Nájera abriga os túmulos de vários membros da família Manrique de Lara, titulares do Ducado de Nájera desde 1482. Esse mausoléu não está localizado no Clautro dos Cavaleiros, como se poderia esperar, mas sim numa capela à esquerda do altar principal. Lá estão duas figuras dignas de nota:


  • Pedro Manrique III de Lara, primeiro duque de Nájera, foi uma figura importante na corte dos Reis Católicos.


  • Juan Estéban Manrique de Lara, duque de Nájera, combateu no cerco de Pamplona, ao lado do cavaleiro Iñigo López de Loyola (Santo Inácio de Loyola).


Termino aqui a minha lista de monarcas e nobres dos reinos de Nájera/Pamplona, Pamplona/Navarra e Navarra, que estão sepultados no Mosteiro de Santa Maria la Real em Nájera.



ADMINISTRAÇÃO do MOSTEIRO


Para terminar, só falta dizer quem administrou o Mosteiro de Santa Maria la Real durante tantos séculos. A1079, o local foi assistido pelo clero secular. Após o desaparecimento do Reino de Nájera, Don ALFONSO VI "el Bravo", rei de CASTELA e LEÓN, entregou Santa María la Real aos frades beneditinos de Cluny e várias gerações de monges beneditinos habitaram o mosteiro durante a Idade Média. Em 1513, o Mosteiro passou a depender da Congregação de São Bento de Valladolid. Em 1895, passou a ser administrado pela Ordem Franciscana, que assumiu o mosteiro após longos anos de negligência e deterioração, que se seguiram ao confisco de 1835.


Só posso acrescentar que a minha visita ao Mosteiro de Nájera superou todas as expectativas. Esse mosteiro tem o Panteón Real mais impressionante que vi na Espanha. Encontrei o local muito bem organizado, limpo e impecável. A ocasião ficou gravada na minha memória. É uma visita imperdível!



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Carmen Souza Soares Reis

9 de maio de 2026





 
 
 

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