CATEDRAL de PAMPLONA - Panteón dos Reis de NAVARRA
- May 11
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Updated: Jul 22
Estamos chegando ao fim do meu roteiro do CAMINHO DAS ESTRELAS no norte da Espanha. A minha última parada foi em Pamplona, capital do antigo Reino de Navarra, que continua a ser a capital da Comunidade Autônoma de Navarra. Foi fundada no século IX e desde então tem sido um importante centro político e religioso. Muitos eventos importantes do Reino de Navarra tiveram como palco a Catedral de Pamplona e nela estão sepultados diversos reis e rainhas de Navarra, como não podia deixar de ser...
Pamplona é conhecida em todo o mundo pela Festa de San Fermín, aquele dia em que soltam os touros pelas ruas... Mas uma tradição de muitos séculos a fez conhecida como a primeira parada espanhola do Caminho Francês que leva os peregrinos até Santiago de Compostela. Roncesvalles é território espanhol, mas fica nos Pirineus a 900 m de altura. Os peregrinos têm que ultrapassar essa difícil etapa das montanhas antes de entrar no que chamam "etapa espanhola" do Caminho Francês, que é a etapa final. A maioria dos peregrinos vem do seu país diretamente a Pamplona para pegar a etapa mais fácil e mais interessante do Caminho de Santiago, que é mais plana e cheia de atrações!

Vamos relembrar a história do Reino de Pamplona. SANCHO GARCÉS (875-925) foi o primeiro chefe militar com autoridade territorial sobre o Reino de Pamplona. Ele conquistou as terras de Nájera e La Rioja e estabeleceu seu filho GARCÍA SÁNCHEZ (919-970) como primeiro rei do Reino de Nájera, mais tarde conhecido como Nájera-Pamplona, que foi o berço dos reinos de Castela e Aragón. (Esse foi o assunto do artigo anterior: "Panteón Real de Nájera-Pamplona".) Pai e filho foram instrumentais no desenvolvimento daquela região. Infelizmente, os reis seguintes foram obrigados a ceder sua autoridade ao mouro Almanzor e pagar tributos ao Califato de Córdoba.
Antes que me perguntem qual é a relação dessa história com a Catedral de Pamplona, devo dizer que na época de SANCHO GARCÉS e de GARCÍA SÁNCHEZ, já existia uma igreja no local onde está a catedral. Essa igreja foi arrasada numa incursão muçulmana comandada por Abd al-Rahman III, o Emir que fundou o Califato de Córdoba. Alguns vestígios materiais dessa antiga igreja sobreviveram e foram integrados à igreja atual. A Catedral de Pamplona é um conjunto arquitetônico único, considerado o complexo catedralício mais completo da Espanha! Além da igreja, do claustro e da sacristia, contém outras construções essenciais à vida da comunidade eclesiástica, como armazém, refeitório, sala capitular e dormitório, que não existem em outras catedrais.

A Catedral de Pamplona foi consagrada em 1127 e recebeu o nome de Catedral Metropolitana de Santa María la Real de Pamplona. Já naquela época, as dimensões da edificação (70 m de comprimento e 50 m de largura) só perdiam para a Catedral de Santiago de Compostela. A Catedral de Pamplona foi construída e reconstruída durante séculos, em diferentes épocas e em diferentes estilos. Algumas dependências românicas foram conservadas, mas o estilo gótico dos séculos XIV e XV predomina na igreja e no claustro. A fachada é de estilo neoclássico e data do século XVIII. Como me agrada mais o estilo gótico das outras catedrais da Europa, não vou incluir nesse artigo nenhuma foto do exterior da Catedral de Pamplona. Mas o seu interior é belíssimo!

A Catedral de Pamplona foi palco de eventos importantes do reino: coroação e unção dos reis, batismos e sepultamentos da nobreza pamplonense. Por esse motivo, sua reconstrução tornou-se o objetivo primordial dos reis Carlos III de Navarra (1361-1425) e Leonor de Trastámara (1363-1415) e dos reis que os sucederam, o que não era habitual naquela época. A nova igreja foi construída no estilo gótico francês, pois os monarcas que reinaram em Navarra pertenciam às dinastias francesas de Evreux e de Champagne. Os sepulcros desse casal de reis são a atração principal do belíssimo interior da Catedral de Pamplona.


Abaixo do sepulcro do casal de reis que idealizaram o Panteón Real, está a Cripta Real que abriga os restos de muitos monarcas do Reino de Navarra, suas rainhas consortes e seus infantes. Imagino que esses restos devam estar guardados em caixas no subsolo. Nada é visível além de uma placa inserida no chão de mármore, na cabeceira do sepulcro dos reis Carlos III e Leonor de Trastámara. Na placa há uma lista em latim dos nomes de todos os membros da realeza navarra cujos restos ali se encontram, seguidos de suas respectivas datas de falecimento em algarismos romanos.

GARCÍA VII "el Restaurador", rei de Navarra (neto materno de El Cid), faleceu em 21 de novembro de 1150.
SANCHO VII "el Sabio", rei de Navarra (filho do anterior), faleceu em 28 de junho de 1194.
SANCHA, rainha de Navarra (mulher do anterior) e Infanta de Castela, faleceu em 5 de agosto de 1175.
Remigius (parece ligado à Igreja, não consegui identificar) faleceu em 20 de janeiro de 1229.
THEOBALDO I "el Trovador", rei de Navarra, faleceu em 8 de julho de 1253.
ENRIQUE I "el Gordo", rei de Navarra (filho do anterior), faleceu em 22 de julho de 1274.
Felipe III de Evreux, rei de Navarra (marido da rainha Joana II de Navarra), faleceu em 26 de setembro de 1343 (sua mulher era filha do rei Louis X da França, faleceu na França em 1349 e foi sepultada em Saint-Denis).
Carlos II "el Malo", rei de Navarra (filho do anterior), faleceu em 1 de janeiro de 1387.
Carlos III "el Noble", rei de Navarra (filho do anterior), faleceu em 8 de setembro de 1425.
Eleonora, rainha de Navarra (Leonor de Trastámara, mulher do anterior) faleceu em 20 de fevereiro de 1415.
Carlos, filho de Carlos III e Leonor de Trastámara, faleceu criança.
Luiz, filho de Carlos III e Leonor de Trastámara, faleceu criança.
Maria, filha de Carlos III e Leonor de Trastámara, faleceu criança.
Isabel, filha de Carlos III e Leonor de Trastámara, faleceu criança.
Margarita, filha de Carlos III e Leonor de Trastámara, faleceu criança.
Lancelote de Navarra (filho ilegítimo de Carlos III, vigário-geral da Sé de Pamplona, protonotário apostólico e patriarca de Alexandria) faleceu em 8 de janeiro de 1420.
Ana de Clèves, Princesa de Viana (filha do Duque de Clèves, mulher de Carlos de Trastámara y Evreux, Príncipe de Viana) faleceu em 6 de abril de 1448.
Durante as excavações dos anos 90, foi encontrada no subsolo do Presbitério uma urna de chumbo com uma pequena caixa de madeira que continha os restos de Magdalena de Valois (1443-1495), irmã do rei Luís XI da França (1423-1483). Essa descoberta era esperada. Sabia-se que Magdalena de Valois tinha sido sepultada na Catedral de Pamplona, mas o seu túmulo havia se perdido. Ela foi casada com Gaston de Foix, Príncipe de Viana, e foram pais de Catarina de Foix (1470-1517), rainha de Navarra, que se casou com Jean III d'Albret (1469-1516). Esse casal foi focalizado no artigo sobre Viana de Navarra e o túmulo de César Bórgia, que morreu a serviço do seu cunhado Jean III d'Albret, rei de Navarra. César Bórgia foi casado com Charlotte d'Albret, irmã do rei de Navarra. Uma história muito interessante sobre a qual já publiquei dois artigos no site Academia.edu.
Com esse artigo sobre a Catedral de Pamplona, encerro a descrição da minha peregrinação pelo norte da Espanha, seguindo o CAMINHO DAS ESTRELAS e buscando vestígios da passagem de antigos ancestrais por lugares históricos dos reinos medievais da Hispania.

Vamos recapitular essas paradas e os artigos que escrevi sobre elas:
Santiago de Compostela - Catedral de Santiago
León - Catedral de León (depois de passar por Monterroso e Ponferrada)
León - Basílica de San Isidoro de León
(Saí do Caminho para ir a Oviedo e Covadonga - escrevi 2 artigos)
Burgos - Catedral de Burgos e El Cid
Burgos - Abadía de las Huelgas
Burgos - Cartuja de Miraflores
Burgos - Colegiata de Covarrubias
Viana, Navarra - César Borgia e Jean d'Albret
Leyre, Navarra - Mosteiro de Leyre
Jaca, Aragón - Doña Petronilla de Aragón (cuja história acaba em Barcelona)
(Saí do Caminho para ir a Barcelona - escrevi artigo sobre Almodis de la Marche)
Nájera, Navarra - Mosteiro de Santa Maria la Real
Pamplona, Navarra - Catedral de Pamplona
Vou fazer uma pausa durante o verão que se aproxima. Eventualmente, pode ser que publique algum artigo de cunho mais esotérico sobre o CAMINHO DAS ESTRELAS, embora o verão seja época de "fugir de casa" por causa do calor da Flórida... Em setembro continuarei a minha peregrinação pelo CAMINHO DAS ESTRELAS. Vou visitar as igrejas e catedrais da França com a mesma prima, companheira e parceira, com quem fiz a primeira viagem em 2016.
Agradeço a todos que tiveram a paciência de ler os meus artigos!
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Carmen Souza Soares Reis
11 maio 2026






















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