BASÍLICA de SAN ISIDORO - Panteón dos Reis de León
- Feb 19
- 7 min read
Updated: Feb 21
O Panteón dos Reis de León é considerado a "Capela Sistina da Arte Românica" e vale a pena ser visitado, mas devo avisar aos interessados que achei complicado encontrar o local. Eu tinha a informação de que o Panteón ficava no Museu de San Isidoro de León e que esse Museu ficava no Claustro da Basílica de San Isidoro. Minha informação estava correta, mas perdemos muito tempo a procurar a entrada, perdemos o horário de visita e tivemos que deixar para um outro dia!
O endereço da Basílica de San Isidoro é Plaza de San Isidoro nº 4, mas o Claustro de San Isidoro fica na Plaza de San Martino nº 5. Nesse segundo endereço encontra-se o Hotel Real Colegiata de San Isidoro, estabelecido no antigo Mosteiro de San Isidoro de León. O que causa confusão é que o termo "Real Colegiata" é usado para referir tanto a Basílica como o Mosteiro. Na verdade, trata-se de uma enorme construção interligada. Vou explicar melhor a questão: a Real Colegiata de San Isidoro é um antigo mosteiro que alojou centenas de religiosos durante muitos anos e hoje engloba a Basílica que contém as relíquias de San Isidoro, o Hotel e dois Museus. Mesmo os espanhóis fazem alguma confusão: no site oficial da Junta de Castilla y León na internet, há um Portal de Turismo, onde o título "Real Colegiata de San Isidoro" faz uma descrição dos aspectos arquitetônicos da Basílica, seguida de uma descrição do Panteón e de outras referências ao Claustro, sem nenhuma menção ao antigo Mosteiro onde hoje funciona o Hotel, que é na verdade a Real Colegiata de San Isidoro...
No primeiro dia da nossa estada em León visitamos a Catedral, onde achei o túmulo do rei ORDOÑO II, que eu ainda não sabia que era meu ancestral (foi o assunto do artigo anterior). No segundo dia, visitamos a Basílica de San Isidoro, onde estão as relíquias desse santo, mas não encontramos nem o Claustro, nem o Museu, nem o Panteón dos Reis. Ainda tínhamos mais alguns dias em León e precisávamos de mais informações para não repetir a frustração daquele dia. Resolvemos fazer um programa diferente no dia seguinte: fomos às Asturias, visitamos Oviedo e Covadonga e voltamos pelos Picos da Europa. Essa viagem será o tema do próximo artigo. Vou seguir a sequência temporal da nossa viagem, mas vou voltar a um dos assuntos do meu artigo anterior: o fundador da cidade de Oviedo, o rei FRUELA das ASTÚRIAS, ancestral dos Senhores de MONTERROSO e da família MONTERROIO de Portugal. (Continuo a usar o artifício de escrever os nomes dos meus ancestrais em letras maiúsculas.)
No dia seguinte à nossa ida às Astúrias, conseguimos visitar o Panteón dos Reis de León. É um espaço realmente muito bonito! As pinturas murais que adornam o teto e as paredes representam o apogeu da Arte Românica espanhola e são realmente lindas! A foto abaixo dá uma ideia de como é o Panteón. Duas colunas centrais sustentam os arcos que dividem o espaço em naves, onde estão colocados sarcófagos de diversos feitios, sem identificação.

Hoje eu sei que tenho ancestrais entre os monarcas sepultados no Panteón dos Reis de León (seis reis e quatro rainhas, além de uma infanta que se casou com um nobre português), mas naquela época eu ainda não sabia quais eram os monarcas sepultados no Panteón, e não encontrei nenhuma informação no local. Consegui que uma funcionária de plantão me informasse que os sarcófagos não tinham identificação porque haviam sido profanados durante uma guerra. Os ossos tinham se misturado de tal forma que não havia como identificá-los. Eu nunca tinha ouvido nada parecido com aquilo. Quando consegui processar a informação, fiquei horrorizada!
HISTÓRIA DO PANTEÓN DOS REIS DE LEÓN
O primeiro mosteiro foi fundado por volta de 960 por Sancho "el Craso", filho de RAMIRO II e neto de ORDOÑO II, para abrigar as relíquias de San Pelayo (menino-mártir cordobês), que ele havia conseguido graças aos seus contatos com Abd-al-Rahmam III. Em 988 as tropas de Almanzor, o poderoso governante do Califado de Córdoba, arrasaram o Mosteiro de San Pelayo. Mais tarde, o rei ALFONSO V (996-1028) construiu o Mosteiro de San Juan Bautista de León, para o qual mandou vir os restos mortais de todos os monarcas, que estavam espalhados por diversas igrejas de todo o reino, inclusive os dos seus pais, BERMUDO II e ELVIRA GARCIA. Em 1063 essa mesma igreja recebeu os restos de San Isidoro e passou à categoria de Basílica.
Antes disso, uma filha do rei ALFONSO V, a rainha SANCHA de LÉON (1013-1067), persuadiu seu marido, o rei FERNANDO I "el Magno" de CASTELA e LEÓN (1017-1065), a que ambos fossem sepultados no Mosteiro de San Juan Bautista de León. Esse mosteiro teve seu nome mudado para Mosteiro de San Isidoro de León, quando houve o traslado dos restos mortais do santo sevilhano em 1063, a pedido do mesmo rei Fernando I, que desejava que as relíquias do ilustre e sábio arcebispo sevilhano repousassem na sua cidade de León. Durante toda a Idade Média, a maioria dos reis e rainhas de León foram sepultados na Basílica de San Isidoro e o local se transformou no Panteón dos Reis de León.
No começo do século XIX, durante a Guerra de Independência, a Basílica de San Isidoro de León foi ocupada pelas tropas napoleônicas, que converteram o templo numa cavalariça e utilizaram os sepulcros de pedra dos reis como bebedouros para as suas montarias. Eles removeram os restos dos reis de todos os sepulcros, pelo que tornou-se impossível o reconhecimento e a individualização do que restou de cada um deles..
Em 1997 foi realizado um estudo dos restos mortais dos reis que ainda repousam nesse lugar.
PERSONAGENS ENTERRADOS NO PANTEÓN REAL
REIS - (os nomes dos 6 que são meus ancestrais estão em letras maiúsculas)
Alfonso IV de León (f. 933), filho de Ordoño II de León.
RAMIRO II de LEÓN (900-951), filho mais moço de Ordoño II de León.
ORDOÑO III de LEÓN (926-956), filho e sucessor de Ramiro II de León.
Ordoño IV de León (924-960), filho de Alfonso IV de León.
Sancho I de León (935-966), filho de Ramiro II de León.
Ramiro III de León (961-984), filho e sucessor de Sancho I de León.
BERMUDO II de LEÓN (956-999), filho ilegítimo de Ordoño III de León.
ALFONSO V de LEÓN (994-1028), filho e sucessor de Bermudo II de León.
Bermudo III de León (1016-1037), filho e sucessor de Alfonso V de León.
SANCHO GARCÉS III rei de NAVARRA (990-1035), pai de Fernando I de León.
FERNANDO I de LEÓN (1016-1065), filho de Sancho Garcés III rei de Navarra.
Garcia, rei da Galícia (1042-1090), filho de Fernando I de León.
RAINHAS - (os nomes das 4 que são minhas ancestrais estão em letras maiúsculas)
Urraca I de León (1081-1126), filha e sucessora do rei Alfonso VI de León.
SANCHA de LEÓN (1013-1067), mulher de Fernando I e filha de Alfonso V de León.
Oneca de Pamplona (f. 931), filha de Sancho Garcés I de Pamplona e mulher de Alfonso VI.
Sancha Gómez (f. 1027), filha do conde Gómez Dias e mulher do rei Ramiro III de León.
ELVIRA GARCIA (f. 1027), filha do conde Garcia Fernández e mulher de Bermudo III de León.
ELVIRA MENÉNDEZ (f. 1022), mulher de Alfonso V de León e mãe de Bermudo III de León.
Jimena Sánchez (1012-1063), filha de Sancho Garcés III e mulher de Bermudo III de León.
Zaida, mulher do rei Alfonso VI de León.
URRACA de PORTUGAL (1148-1186), mulher de Fernando II de León, filha do rei Afonso Henriques de Portugal.
Teresa Fernández de Traba (f. 1180), segunda mulher de Fernando II de León, filha do conde Fernando Pérez de Traba.
INFANTES E INFANTAS - (só UMA é minha ancestral, mas todos são filhos de ancestrais)
Urraca de Zamora (1033-1101), infanta de Castela e León, senhora de Zamora, filha de FERNANDO I de CASTELA e LEÓN e de SANCHA de LEÓN.
ELVIRA DE TORO (1039-1099), infanta de Castela e León, senhora de Toro, filha de FERNANDO I de CASTELA e LEÓN e de SANCHA de LEÓN, casada com Dom MEM VIEGAS de SOUZA.
Sancha Raimúndez (1102-1159), filha de URRACA I de LEÓN e de RAIMUNDO de BORGONHA, irmã de ALFONSO VII de LEÓN.
Estefanía Alfonso "la Desdichada" (1151-1180), filha ilegítima de ALFONSO VII de LEÓN com Urraca Fernández de Castro.
Fernando de León (1178-1187), filho de FERNANDO II de LEÓN e de Teresa Fernández de Traba.
García Fernández de León (1180-1184), filho de FERNANDO II de LEÓN e de Urraca Lópes de Haro.
Leonor de León (1202-1202), filha de ALFONSO IX de LEÓN e de BERENGUELA de CASTELA.
Maria de Castela (1235-1235), filha de FERNANDO III de CASTELA e de BEATRIZ da SUÁBIA.
O CÁLICE DE DONA URRACA
Voltei a León alguns anos depois e me hospedei no Hotel Real Colegiata de San Isidoro, onde as antigas celas das freiras beneditinas foram modificadas para acolher os hóspedes. Visitei novamente a Catedral, a Basílica, o Panteón, e vi o que faltava ver no Museu, porque na primeira visita eu fiquei tão arrasada com a informação sobre os sepulcros não identificados, que não me achei em condições de seguir adiante e subir as escadas para ver as outras atrações, inclusive o Cálice de Dona Urraca, que alguns dizem ser o próprio cálice da última ceia, ou seja, o Santo Graal. Trata-se de um objeto maravilhoso, de origem romana, revestido de ouro e incrustado com pedras preciosas que pertenceram à própria Dona Urraca (1033-1101), que era filha dos reis FERNANDO I de CASTELA e LEÓN (1017-1065) e SANCHA de LEÓN (1013-1067).

Existe um livro muito bem escrito e bem fundamentado a respeito da história do Cálice de Dona Urraca. Chama-se: "Kings of the Grail", de Margarita Torres Sevilha e José Miguel Ortega del Rio. O livro inclui fotos de documentos e mapas da trajetória desse cálice desde a Terra Santa até o norte da Espanha. Os autores fundamentaram muito bem o seu trabalho: a Bibliografia ocupa 14 páginas! Eu ainda não cheguei a uma conclusão definitiva, porque há uma meia dúzia de outros cálices pelo mundo afora, que também pretendem ser o Santo Graal. Eu teria que estudar a história dos outros cálices antes de formar uma opinião.
De toda maneira, a busca desse objeto físico é uma coisa, e a busca espiritual do Santo Graal é outra, bem diferente!
__________________________
Carmen Souza Soares Reis
19 Fevereiro 2026






















Comments